Vida de cadeirante: 4 mitos sobre a sexualidade

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Muitos aspectos da vida de cadeirante, especialmente sobre a sua sexualidade, ainda são, na maioria das vezes, um grande tabu. Ainda hoje, repercute-se a ideia de que pessoas com deficiências físicas não podem ter relacionamentos amorosos e uma vida sexual normal.

Primeiramente, é impossível estabelecer um conceito geral sobre a vida sexual do cadeirante — cada deficiência e lesão terá complicações e limitações diferentes uma das outras. Assim, o assunto não pode ser generalizado. O que vale para um, não necessariamente ocorrerá da mesma forma para o outro.

No entanto existem algumas dúvidas que são propagadas de maneira equivocada. Neste post, esclareceremos 4 mitos sobre a sexualidade e vida de cadeirante. Confira!

1. Cadeirante não faz sexo

Esse é um dos principais mitos envolvendo a vida de cadeirante. As pessoas tendem a associar o prazer do sexo exclusivamente com o corpo. O corpo é apenas uma forma de se obter prazer, o sexo começa na mente.

Uma coisa que precisa ficar muito clara é que a sexualidade do cadeirante não acaba por causa da doença ou lesão — a libido não é alterada. O que pode ocorrer é a pessoa colocar esse desejo em segundo plano por achar que o foco deve ser a reabilitação física e não a sexualidade.

Esse comportamento acaba incentivando ainda mais o preconceito. Para superar esse problema, tanto o cadeirante quanto o parceiro (a) precisam se adaptar à nova realidade e descobrir novas formas de se relacionar e ter prazer.

2. Cadeirante é infértil

Com as tecnologias atuais e avanços na medicina, dizer que alguém com deficiência física não pode ter filhos é um grande equívoco. Caso seja o desejo do casal, com acompanhamento médico, o processo pode ocorrer normalmente.

Em muitos casos, homens cadeirantes acabam tendo ejaculação retrógrada, que é quando o sêmen acaba sendo eliminado com a urina. Nesses casos, a inseminação artificial é um dos recursos para contornar o problema.

No caso das mulheres, o bebê se desenvolve sem problema algum. Contudo ela precisará de uma maior assistência e orientação médica, pois acaba tendo uma maior chance de desenvolver trombose. Com acompanhamento regular e adequado, tanto o homem quanto a mulher podem ser pais.

3. Cadeirantes são assexuados

A ideia de que pessoas com deficiências físicas são assexuadas está diretamente ligada à crença de que eles são frágeis e dependentes, sendo, portanto, incapazes de terem uma vida sexual. No entanto, como já mencionamos, a lesão ou deficiência não altera a libido e o desejo.

A vida de cadeirante exige algumas adaptações, e a sexualidade não fica de fora. É preciso redescobrir como ter prazer, explorar o corpo e suas zonas erógenas para, assim, alcançar mais satisfação sexual e qualidade de vida.

4. Homens cadeirantes não têm ereção

A maioria dos homens com lesão medular consegue ter ereção. A ereção e, até mesmo, a ejaculação vão depender do local e nível da lesão. Nesse sentido, a grande dica é: conheça e descubra o seu corpo.

Uma vez que a parte sensitiva foi comprometida, todos os outros sentidos podem ser ampliados. Nosso corpo é repleto de memórias que foram adquiridas por todos os sentidos. Assim, sons, imagens, sabores, cheiros e tudo que estimular o erotismo deve ser explorado.

A vida de cadeirante é um eterno aprendizado. Se adaptar e reaprender a fazer as coisas do cotidiano, inclusive no âmbito sexual, faz parte do processo de reabilitação. Se relacionar com uma pessoa que tem deficiência e usa cadeira de rodas não tem nada de complicado, como muitos estigmatizam.

Nesse quesito, o que vale é o carinho, respeito, companheirismo, a adaptação e, claro, a felicidade de ambos.

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